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Antônio Hohlfeldt

Antônio Hohlfeldt é formado em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com mestrado e doutorado em Literatura pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Autor de treze livros de ficção infanto-juvenil, escreveu também quinze obras de ensaio e é ativo no mundo acadêmico.

Durante dezessete anos foi jornalista do Correio do Povo, e integrou a equipe do Diário do Sul, sempre na área de jornalismo cultural.

Atualmente, é o único crítico teatral em atividade na capital gaúcha, mantendo sua coluna semanal no Jornal do Comércio, às sextas-feiras. Ainda na área cultural foi assessor da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre (1972), assessor da Secretaria de Estado da Cultura, Desporto e Turismo do Rio Grande do Sul (1978-1981) - tendo trabalhado na Secção da Rádio Canadá Internacional (1974) -, assessor de imprensa da Fundação Sinfônica de Porto Alegre e do Instituto Goethe (1976).

 

 

Crítica - Radicci trajetória

dos quadrinhos para o palco

Por Antônio Hohlfeldt

Na semana passada, falei da passagem da crônica para o teatro. Hoje, vou falar da passagem das tirinhas dos quadrinhos para o teatro. Refiro-me ao personagem Radicci, criação de Iotti, que ocupa há muitos anos as páginas de jornais de Caxias do Sul e, mais recentemente, de Zero Hora. Há tempos, o grupo Ueba - Produtos notáveis, de Caxias do Sul, fez esta transposição. O espetáculo se chama Radicci e Genoveva - a vida de casal nóm é fácil..., que resulta de dramaturgia de Dilmar Messias, a partir das tirinhas diárias de Carlos Henrique Iotti, com direção do mesmo Messias e interpretações de Aline Zille e Jonas Piccoli. O espetáculo teve temporada no Teatro do Sesc há umas poucas semanas, na agenda do Quintas com humor do Sesc

Iotti toma os estereótipos resultantes da colonização italiana e de sua adaptação à urbanização e à industrialização, presentes em todo o processo de desenvolvimento de Caxias do Sul e as demais cidades da colonização italiana (leia-se: Flores da Cunha, Farroupilha, Garibaldi etc.). O resultado é um casal - Radicci e Genoveva (diz-se Zenoveva), que fala um pouco de talian (mistura de línguas regionais que aqui se adaptaram ao português – hoje o talian é patrimônio cultural). Além de marido e mulher, temos o filho e o avô. Com isso, completa-se uma sugestão de família: o velho ainda guarda algumas tradições da nacionalidade original, enquanto o filho é um militante ecológico mais dado à preguiça que a qualquer outra coisa. Genoveva é a legítima mulher colona italiana: trabalhadora e preocupada com as tradições familiares, enquanto Radicci é um bêbado preguiçoso, cheio de preconceitos, mas simpático que é um terror. Na cena, Messias decidiu-se por manter apenas Radicci e Genoveva, provável estratégia da produção para ter um espetáculo relativamente barato e poder viajar sem maiores problemas (imagine-se seu sucesso nas colônias).

O enredo de Radicci e Genoveva é uma simples colagem das tirinhas, o que é um fenômeno de dramaturgia: dar consistência de enredo a situações extremamente econômicas (cinco quadrinhos, quer dizer, cinco imagens, no máximo) que apresentam e resolvem uma situação, com certa dramaticidade, é certo, além de seu humor atrativo. Pois o espetáculo conseguiu ultrapassar este desafio. O resultado pode ser um pouco linear, mas, resumidamente, apresenta o cotidiano do casal, com diferentes situações, centrado, contudo, no esforço de Genoveva em fazer com que Radicci trabalhe e se mantenha afastado da bebida e, deste, em conseguir beber o mais que puder, de preferência, sem trabalhar.

A direção de Dilmar Messias, acertadamente, optou pelas máscaras (lembremos a linha circense do trabalho do diretor). Assim, simples máscaras colocadas em ambos os intérpretes imediatamente os transformam nos personagens de Iotti. Aline Zilli, em que pese a máscara, não perde seu apelo de mulher bonita e até sensual, o que mais serve de contraste com Jonas Piccoli, que assume com personalidade a figura de Radicci, contrastando fortemente com a atriz que vive sua esposa.

Dilmar Messias, que assina a dramaturgia, foi feliz em aproveitar aquilo que de melhor apresentam as tirinhas de Iotti, ou seja, sua economia e forte sugestão dramática. Assim, imagino que, no processo de criação, Messias tenha desenvolvido, em diálogos, as situações das tirinhas (depois de tê-las ordenado de modo a formar um enredo), escrevendo e desenvolvendo os diálogos, que, por isso mesmo, são curtos, objetivos e francos, muito cômicos e sugestivos. No entanto, destaque-se a importância dos dois intérpretes: sem a perfeita interação entre eles, nada daria certo e todo o esforço se perderia.

Em síntese, um espetáculo simples, despretensioso, divertido e bem realizado, no sentido de que atinge aquilo a que se propôs, ou seja, o divertimento. Valeu a experiência e valeu o esforço. 

 

 

 

 

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